Texto por Alexandre Montandon
Esses dias estava pensando sobre a relação entre o consumo e o que está acontecendo com o Planeta. É claro para todos que a conta não fecha: consumimos num ritmo maior do que o Planeta é capaz de suportar.
Esse consumo, além de sugar os recursos naturais que existem, expele resíduos e contamina suas próprias reservas naturais, num ritmo alucinante e descontrolado.
Feito uma criança que não conhece os seus limites, parece que a generosa Mãe Terra está nos dando vários sinais das nossas travessuras. As mudanças climáticas são apenas um aviso sobre o nosso mal comportamento. É uma forma humilde dela nos dizer que estamos indo numa direção errada e perigosa.
Mas tal qual crianças levadas, apenas abanamos a cabeça confirmando que entendemos o recado, para logo em seguida continuar nossas travessuras com mais intensidade.
Travessuras essas que já estão influenciando de forma negativa o futuro dos filhos e netos de quem hoje tem entre 20 e 30 anos . Isso é irreversível.
Mas, então, o que fazer? Como educar essas crianças sem limites?
Veja! O consumo é o centro da economia, e o dinheiro define a qualidade do nosso acesso a sobrevivência nesse planeta. Se temos dinheiro, podemos consumir. Se não temos, corremos o risco de passar fome, frio, sem falar na perda da liberdade e dignidade.
É o consumo que gera dinheiro para a Economia e é o dinheiro que gera mais consumo, alimentando a Economia.
O consumo atende às necessidades básicas do ser humano, como alimento, remédios, moradia, locomoção, roupas, entre outros. Ele também atende aos nossos sonhos, desejos, sentimentos de conforto e bem estar. Como resistir a tantas novidades tecnológicas, ao carro do ano, a nova coleção de calçados, a viagem dos sonhos? E, por que não, o consumo nos ajuda a lidar com nossas frustrações, ansiedades, tristezas... quem nunca foi fazer compras pra se sentir melhor? Ou para espairecer? Ou para validar o seu status e afirmação num grupo de amigos?
Então, fico aqui pensando: como pedir para essas pessoas, que trabalham o dia todo, fazendo sacrifícios, economizar nas suas necessidades, nas suas vontades?
Como digo a eles para diminuírem o tamanho dos seus sonhos, dos seus desejos?
Como pedir para que todos façam a sua parte reduzindo suas frustrações, decepções e angústias?
Como explicar a uma criança que ela precisa agir com maturidade?
Imagino a tarefa difícil que deve ser para a Mãe Terra educar os seus filhos humanos, de longe os mais arteiros dessa casa! Imagino como deverá ser difícil para um pai ou avô explicar para seus filhos e netos o seu comportamento inconsequente e os estragos causados por isso...
Nós, humanos, pequenas crianças ávidas, estamos crescendo, crescendo e nos multiplicando por toda a parte... e o triste é que até agora ainda não aprendemos a viver como irmãos.

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